Projeto Sois Negros reúne espetáculos solo nos Centros Culturais do SESI Bahia, e o Centro Cultural SESI Casa Branca amplia as celebrações com dança, música, humor.
O mês da Consciência Negra ganha destaque na programação dos Centros Culturais do SESI Bahia com a realização da terceira edição do Sois Negros, projeto idealizado por Thiago Lopes, coordenador dos Centros Culturais do SESI Bahia, que tem como propósito valorizar, reconhecer e dar visibilidade à produção artística de artistas negros e às múltiplas expressões da cultura afro-brasileira.
Com curadoria de Victor Hugo Sá e Bergson Nunes, o projeto ocupa os espaços culturais do SESI com uma programação de espetáculos em formato solo, reunindo artistas que apresentam histórias, vivências, memórias e reflexões sobre identidade, ancestralidade e resistência, a partir de diferentes perspectivas do teatro negro contemporâneo.
No Centro Cultural SESI Casa Branca, a programação do Sois Negros acontece nos dias 5, 6, 12, 13, 19 e 20 de novembro, sempre as 19h, com três espetáculos: Carta à Mãe, OYA – 9 caminhos, um legado e Lumbre. As apresentações convidam o público a conhecer narrativas e poéticas que colocam a experiência negra no centro da criação artística.
Sinopse obras:
Carta à Mãe
O espetáculo conta a história real de Milena, uma atriz de 30 anos que decide embarcar em uma longa viagem para revelar à sua mãe um segredo que a acompanha há anos. Já em seu segundo casamento e refletindo sobre o que seria mais importante resolver na vida antes que o mundo chegasse ao fim, Milena decide contar à mãe que é lésbica.
O medo da rejeição, a pressão da sociedade e a incerteza sobre como esse amor materno poderia ser afetado marcam a narrativa, que se desenrola em cenas de apreensão, angústia e expectativa. No entanto, com boas doses de humor, a história revela uma mãe amorosa, presente e orgulhosa de sua filha.
A plateia se torna a grande cúmplice de Milena, que, desde o início, compartilha seu objetivo e, ao longo da peça, revela seus sentimentos e histórias. É também a plateia que participa ativamente na iluminação, na sonoplastia e nas atuações da peça. Milena, confessando que o espetáculo é totalmente independente e sem patrocínio, explica que não tem uma equipe profissional, e por isso, será necessário contar com a ajuda do público. Juntas, atriz e plateia constroem o caminho para a grande revelação.
OYÁ: OYA – 9 caminhos, um legado
Inspirada em Oyá, Senhora dos Nove Céus, a obra entrelaça o chão do terreiro, a força dos ventos e tempestades e a potência das mulheres pretas em uma travessia sensorial entre o Aiyé e o Orun. Entre o toque dos atabaques e a memória umbilical, corpos e histórias se encontram para confrontar estruturas, subverter o tempo e reivindicar o direito de existir em liberdade. A intérprete-criadora Rose Pink percorre nove caminhos simbólicos: ancestralidade, pertencimento, transformação, coragem, maternidade, enfrentamento, liberdade, memória e legado. Sua trajetória torna-se espelho de tantas outras mulheres que resistem, acolhem, rompem silêncios e reinventam seus destinos. Oyá é inspiração e força motriz das metamor(fases) de uma artista que, ao dançar sua própria história, convoca outras mulheres a reconhecerem suas potências, afirmarem suas vozes e abrirem seus próprios caminhos.
LUMBRE
Barbárie chega a uma ilha à noite e começa a coletar memórias. Entre encontros, desejos e apagões, encontra longe de casa uma inesperada sensação de casa. Em um ritual que reúne arte drag e fabulação, histórias de bixas pretas separadas e reconectadas pelo oceano acendem uma travessia de amor, pertencimento e transformação. A plateia é convidada a conhecer essas histórias e a compartilhar as suas. Fruto do intercâmbio artístico em Santiago de Cuba, LUMBRE dá continuidade à pesquisa de Aquatika e Amò, inaugurando o ciclo do fogo: o que a gente precisa deixar de arder para acender novas chamas?
Novembro Negro: a cultura preta ocupa a Casa Branca
Para além dos espetáculos do Sois Negros, o Centro Cultural SESI Casa Branca prepara uma programação especial durante todo o mês de novembro, reunindo diferentes linguagens e manifestações da cultura preta. A agenda contempla a cultura Ballroom, com o Montty Experience, projeto idealizado pela bailarina e DJ Lunna Monty, além de apresentações de stand-up comedy, como Preto Básico e Encruzilhadas.
Com essa programação, o SESI Bahia reafirma seu compromisso com a democratização do acesso à cultura, o reconhecimento da produção artística negra e o fortalecimento dos espaços culturais como ambientes de representatividade, encontro e transformação social.
SERVIÇO
Projeto Sois Negros – Centro Cultural SESI Casa Branca
Local: Centro Cultural SESI Casa Branca – Avenida Caminho de Areia, Itapagipe, Salvador.
Programação:
05 e 06/11 – Carta à Mãe
12 e 13/11 – OYA – 9 caminhos, um legado
19 e 20/11 – Lumbre
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada).
Vendas na bilheteria do espaço 1h antes do espetáculo.
O Centro Cultural SESI Casa Branca é composto por um complexo de equipamentos voltados para a cultura, a ciência e a tecnologia, numa proposta inovadora em Salvador de iniciativa do Serviço Social da Indústria (SESI).